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Pesquisadora questiona abordagem a mulheres negras em livros didáticos

Segundo educadora, personagens são colocadas como vítimas e subalternas. A dissertação será defendida no mestrado de Fernanda Gomes Françoso

O estudo da história e da cultura afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio, seja em instituições públicas ou privadas, é instituído por lei. Porém, nem todos concordam com a forma como as negras são retratadas nas salas de aula. Uma delas é a professora de história Fernanda Gomes Françoso, de Presidente Prudente, que fez uma análise dos materiais didáticos distribuídos pelos governos estadual e federal, em seu trabalho de mestrado.

Fernanda tem 31 anos, é formada em história e leciona a matéria na rede pública de ensino do Estado de São Paulo, em Presidente Prudente. Em 2014, ela iniciou seu mestrado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e decidiu fazer esta análise do próprio material que utilizava em aula. “Começou com uma inquietação minha, pois as mulheres negras aparecem muito pouco na história e isso é algo que eu acompanhava havia anos”, diz ao G1.

Ao analisar o material didático, o objetivo da pesquisa foi investigar quais são as representações raciais e de gênero que podem ser associadas às imagens das mulheres negras no período da escravidão brasileira.
Para o estudo, Fernanda escolheu o conteúdo distribuído pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que são os Cadernos do Professor e do Aluno, que possuem vigência de três anos. Os analisados foram os de 2014, voltados para estudantes do oitavo ano do ensino fundamental.

Também usados pela rede pública, ela investigou os livros didáticos de história oferecidos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal. Tais publicações são utilizadas como complemento aos Cadernos e as coleções selecionadas pela professora foram dois volumes do ciclo trienal de 2014, para os alunos do sétimo e do oitavo anos, com idade entre 12 e 14 anos.

Nos dois materiais, a professora salienta que as mulheres negras aparecem mais no contexto da escravidão. “Nos Cadernos, as negras são retratadas nas imagens como serviçais, subalternas ao seu senhor, ou em posição de vítima, sem nenhum texto explicativo, legenda, ou atividades que falassem somente delas”, destaca Fernanda.
Já nos livros, a professora relatou que as negras aparecem em maior quantidade, algumas em ato de resistência, não somente em posição de sofrimento e servidão. Contudo, nem todas as imagens estavam ligadas ao texto explicativo, tratando de outro tema, não à figura feminina.

Apesar de ter uma melhor retratação nos livros didáticos, Fernanda frisa que na seção dos exercícios também não são tematizados assuntos atuais, como os debates sobre as reivindicações do movimento feminista negro, ou o papel destas mulheres no desenvolvimento da sociedade, o racismo, o machismo, o preconceito e o patriarcado. “Mencionam poucas vezes a discussão sobre o preconceito e a discriminação racial”, enfatiza a pesquisadora.

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